Pai intruso

Mas veio o pai. Ele era o guia e iniciador para os/nos mistérios do desconhecido. Na qualidade de intruso original no paraíso da criança com a mãe, o pai é o inimigo arquetípico; eis porque, ao longo da vida, todos os inimigos simbolizam (para o inconsciente) o pai.

Campbell, Joseph. O herói de mil faces. Pensamento, São Paulo, 2007, p. 150.

Crença popular

…(o limiar) marcando os limites da esfera ou horizonte de vida presente do herói. Além desses limites, estão as trevas, o desconhecido e o perigo, da mesma forma como, além do olhar paternal, há perigo para a criança e, além da proteção da sociedade, perigo para o membro da tribo. A pessoa comum está mais do que contente, tem até orgulho, em permanecer no interior dos limites indicados, e a crença popular lhe dá todas as razões para temer tanto o primeiro passo na direção do inexplorado.

Assim, os marinheiros dos grandes navios de Colombo, ampliando o horizonte na mente medieval – navegando, como pensavam, para o oceano sem limites do ser imortal que cerca o cosmos, tal como uma interminável serpente mitológica que morde a própria cauda – tiveram que ser guiados e controlados, como se fossem crianças, porque temiam os leviatãs, as sereias, lagartos e outros monstros das profundezas que falam as fábulas.

Campbell, Joseph. O herói de mil faces. Pensamento, São Paulo, 2007, p. 82.