Deus Justo

“Quando é que um Deus justo cancelaria repentinamente o direito inato de um indivíduo (de continuar se esforçando pela consumação dos potenciais de seu verdadeiro Eu) para fazê-lo sofrer num inferno eterno? É inadmissível que Jesus, sendo a encarnação do amor, da misericórdia e do perdão, pudesse pregar e apoiar tal doutrina. O contexto de toda a sua vida e ensinamentos impossibilita uma inter pretação literal das referências ao inferno como um lugar de ardente tormento eterno.”

YOGANANDA, Paramahansa. A Segunda Vinda de Cristo, A Ressurreição do Cristo Interior. Comentário Revelador dos Ensinamentos Originais de Jesus. Vol II. Editora Self, 2017, pág. 248.

Capítulo 41: Conselhos de Jesus aos que pregan a palavra de Deus (Parte II).

Tudo o Que é Finito Não é Real

O TODO sendo Infinito, Absoluto, Eterno e Imutável, segue-se que tudo o que é finito, passageiro, condicional e mutável não é o TODO. E como não há nada Real fora do TODO, todas as coisas finitas não são Reais. Não deveis ficar admirados e espantados das nossas palavras; não queremos levar-vos à Ciência Cristã fundada sobre a parte inferior da Filosofia hermética. Há uma Reconciliação para o aparente estado contraditório atual do assunto. Tende paciência, que nós trataremos deste assunto em seu tempo.”

Três Iniciados. O Caibalion: Estudo da Filosofia Hermética do Antigo Egito e da Grécia. Editora Pensamento: São Paulo, 2018, pág. 39.

Primícias do Mistério Cósmico Maior

“O Cristianismo precisa transcender-se a si mesmo e se descobrir, não como uma outra doutrina eclesiástica partidária, mas como primícias do mistério cósmico maior que se deixará conhecer à esta geração.

A comunhão do Filho com o Pai e do Pai com o Filho simboliza a verdade de que os pequenos hábitos que comungamos diariamente enquanto família humana nos fazem habitar uns nos outros. A medida em que amamos e valorizamos os sentimentos que partilhamos, nos tornamos imortais uns para os outros, e neste sentido, a morte de um é a morte de todos, e a vida de um é a vida de todos.

Descobrimos nossa natureza eterna, habitamos o templo do interior uns dos outros. Descortinamos à consciência, que jazia na ignorância, um mais amplo sentido de comunhão e comunidade a um só tempo, no eterno que nos contém.

Raymond Buckland

Cerimônia do Chá e o Sermão do Inanimado

“(…) a textura da vida japonesa tronou-se tão imbuída de uma formalização significativa, que a existência do mínimo detalhe era uma expressão consciente da eternidade, sendo a própria paisagem um santuário. Da mesma forma, por todo o Oriente, por todo o mundo antigo e nas Américas pré-colombianas, a sociedade e a natureza representavam, para a mente, o inexprimível. “As plantas, as rochas, o fogo e a água estão vivos. Eles nos observam e veem nossas necessidades. Eles veem quando nada temos para nos proteger”, declarou um velho contador de histórias apache, “e é este o momento em que se revelam a si mesmos e se dirigem a nós”. Eis o que o budista denomina “sermão do inanimado.”

Campbell, Joseph. O herói de mil faces. Pensamento, São Paulo, 2007, p. 160-161.

Integração

“E por isso podemos dizer que, afinal de contas, o moderno alvo terapêutico de uma cura que produza o retorno à vida é atingido por meio da antiga disciplina religiosa (…) aquele que se libertou em vida (jívan mukta), desprovido de desejos, compassivo e sábio, “com o coração concentrado pela ioga, vê todas as coisas sob a mesma luz, observa-se a si mesmo em todos os seres e observa todos os seres em si mesmo. Como quer que leve a vida, vive em Deus”. (…) Aqueles que sabem, não apenas que o Eterno vive neles, mas que eles mesmos, e todas as coisas, são verdadeiramente o Eterno, habitam os bosques de árvores que atendem aos desejos, bebem o licor da imortalidade e ouvem, em todos os lugares, a música silenciosa da harmonia universal. Esses são os imortais”.

Campbell, Joseph. O herói de mil faces. Pensamento, São Paulo, 2007, p. 157.

Tudo Está em Mudança

“Tudo está em mudança; nada morre. O espírito vagueia, ora está aqui, ora ali, e ocupa o recipiente que lhe agradar… Pois o que existiu já não é, e o que não existiu começou a ser; e assim todo ciclo de movimento se reinicia”. “Apenas os corpos em que habita o eterno, imperecível, incompreensível Eu, perecem.”

Citando Ovídio e Bhagavad Gita in Campbell, Joseph. O herói de mil faces. Pensamento, São Paulo, 2007, p. 35.