Pregação do Evangelho

“E, coisa curiosa, começou a pregar onde em criança aprendera a ler, no mesmo lugar em que haveria de ter sua primeira gloriosa sepultura. Dessa maneira, um feliz começo augurou uma conclusão ainda mais feliz. Onde aprendeu, aí também ensinou; e onde começou, aí também chegou à conclusão feliz.”

Frei Tomás de Celano. Primeira Vida: Vida de São Francisco de Assis Escrita em 1228 D.C, Ed. Família Católica,2018, Local: 426.

PRIMEIRO LIVRO

Capítulo X – A pregação do Evangelho e o anúncio da paz. Conversão dos seis primeiros frades.

Fruto da Sabedoria

(…) pregado na árvore, ele tornou-se o fruto da sabedoria [gnosis] do Pai. No entanto, não causou destruição porque [foi] comido, e os que o comeram rejubilaram-se com a descoberta. Pois ele os descobriu em si mesmo, e eles o descobriram neles mesmos… *(Ibid., 18.24-31, em NHL 38.)

Contrariamente às fontes ortodoxas, que interpretam a morte de Cristo como um sacrifício para redimir a humanidade da culpa e do pecado, esse evangelho gnóstico vê a crucificação como uma ocasião para descobrir sua entidade divina. Com essa interpretação diferente, o Evangelho da Verdade oferece um relato comovente da morte de Jesus:

(…) o misericordioso, o fiel, Jesus foi paciente em aceitar os sofrimentos (…) sabendo que sua morte representava a vida de muitos. (…) Foi pregado em uma árvore (…) Despiu-se para a morte, apesar de vestido com a vida eterna.” *(Ibid., 20.10-32, em NHL 39.4 NHL 86 87 Tratado Tripartido, 113-32-3)

(…)E foi pelo seu amor que se tornou manifesto em um sofrimento involuntário. (…) Não apenas recebeu em si mesmo a morte daqueles que pretendeu salvar, mas também aceitou suas pequenezas (…) Ele se deixou ser concebido e nasceu como uma criança em corpo e alma.”

PAGELS, Elaine. Os Evangelhos Gnósticos. Editora Objetiva, 1979, pág. 107-108.

Capítulo: 4- A Paixão de Cristo e a Perseguição aos Cristãos.

O Amor por Maria Madalena

“Os antagonistas de ambos os lados recorreram à técnica polêmica de escrever literatura originária, comprovadamente, da época dos apóstulos e de professar as concepções dos apóstolos originais sobre o assunto. Como observamos antes, o Evangelho de Filipe fala da rivalidade entre os discípulos homens e Maria Madalena, nele descrita como a companheira mais íntima de Jesus e o símbolo da Sabedoria divina:

(…) e a companheira [do Salvador é] Maria Madalena. [Mas Cristo a amava] mais que a [todos] os discípulos e  costumava beijá-la [com frequência] na [boca]. O restante [dos discípulos ficava ofendido com isso (…)] Eles lhe disseram: “Por que você a ama mais que a todos nós?” O Salvador respondeu e disse: “Porque eu não amo vocês mais do que [eu a amo]?”.

PAGELS, Elaine. Os Evangelhos Gnósticos. Editora Objetiva, 1979, pág. 71-72.

Capítulo: 3- Deus Pai / Deus Mãe.

Os Hereges Podem Falar por Si

“Começamos agora a perceber que o cristianismo – e o que identificamos como tradição cristã- representa, na verdade, apenas uma pequena seleção de fontes específicas, escolhidas entre dezenas de outras. Quem fez a seleção? E por que razões? Por que os outros escritos foram excluídos e proibidos como “heresia”? O que os tornou tão perigosos? Agora, pela primeira vez, temos a oportunidade de conhecer a primeira heresia cristã; pela primeira vez, os hereges podem falar por si mesmos.”

PAGELS, Elaine. Os Evangélhos Gnósticos. Editora Objetiva, 1979, pág. XXXIX.

Capítulo: Introdução.

Compreensão Espiritual e Autoconhecimento

Primeiro, os judeus e os cristãos ortodoxos insistem que um abismo separa a humanidade de seu Criador: Deus é exatamente o oposto. Mas alguns dos gnósticos que escreveram esses evangelhos contradizem isso: o autoconhecimento é o conhecimento de Deus; o eu e o divino são idênticos. (…) o “Jesus vivo” desses textos fala de ilusão e iluminação, não de pecado e arrependimento(…). Em vez de ter como missão nos salvar do pecado, ele veio para ser um guia que abre o acesso à compreensão espiritual.”

PAGELS, Elaine. Os Evangélhos Gnósticos. Editora Objetiva, 1979, pág. XXI-XXII.

Capítulo: Introdução.

Atos dos Apóstolos

“O livro dos Atos dos Apóstolos foi escrito provavelmente entre 80 e 90 d.C. Seu autor é o mesmo do terceiro Evangelho; desde o séc. II, a tradição o identifica com Lucas, o médico que acompanhou Paulo (cf. Cl 4,14; Fm 24). De fato, é continuação do Evangelho de Lucas. Ambos formam, segundo o autor, o caminho da salvação: o Evangelho apresenta o caminho de Jesus; o livro dos Atos apresenta o caminho da Igreja, que prolonga o caminho de Jesus “até os extremos da terra”. O relato que une as duas obras é a ascensão, que coroa a vida de Jesus (Lc 24,51) e funda a missão universal da Igreja (At 1,8).”

(…)

“Podemos dizer que o livro dos Atos é o Evangelho do Espírito. Aí se conta que o Espírito Santo prometido faz nascer a comunidade cristã e a impulsiona para o testemunho aberto e corajoso do nome de Jesus, isto é, para anunciar a palavra e ação libertadora de Jesus. Esse testemunho provoca o surgimento da grande novidade que tende a transformar pessoas, relações e estruturas da sociedade, provocando alternativas que se chocam frontalmente com os interesses sociais vigentes.”

(…)

“Pode-se dizer que Atos é o livro da novidade e, portanto, também dos conflitos. Numa sociedade corroída pelo interesse e egoísmo, qualquer proposta de alternativa mais fraterna e igualitária provoca oposições e confrontos.”

Bíblia Sagrada. Edição Pastoral. Paulus Editora, 1990. Versão Kindle, Posição 64112- 64126.

O Evangelho de João

“O Evangelho de João é diferente dos três primeiros. Em Mateus, Marcos e Lucas há muitos milagres e palavras de Jesus. Em João encontramos apenas sete milagres, que são chamados sinais, e alguns discursos que se desenvolvem lentamente, repetindo sempre os mesmos temas-chave. Os três primeiros evangelistas reuniram, completaram e editaram os assuntos que formavam a catequese existente em suas comunidades. João seguiu caminho diferente: seu evangelho é uma espécie de meditação, que procura aprofundar e mostrar o conteúdo da catequese existente em sua comunidade. Seu evangelho visa a despertar e a alimentar a fé em Jesus Cristo, o Filho de Deus, a fim de que os homens tenham a vida (Jo 20,30-31).”

Bíblia Sagrada. Edição Pastoral. Paulus Editora, 1990. Versão Kindle, Posição 62350.

O Evangelho de Lucas

“O Evangelho de Lucas apresenta o caminho de Jesus como caminho que se realiza na história. Para percorrê-lo, o Filho do Altíssimo (1,32) se faz homem em Jesus de Nazaré (2,1-7), trazendo para dentro da história humana o projeto de salvação que Deus tinha revelado, conforme a promessa feita no Antigo Testamento (1,68-70). O caminho de Jesus inicia o processo de libertação na história, e por isso realiza nova história: a história dos pobres e oprimidos que são libertos para usufruírem a vida dentro de novas relações entre os homens.”

Bíblia Sagrada. Edição Pastoral. Paulus Editora, 1990. Versão Kindle, Posição 60090.

Quem é Jesus? O Livro de Marcos

“Marcos escreveu o seu Evangelho com a finalidade precisa de responder à pergunta: “Quem é Jesus?”. O evangelista, porém, não responde com doutrinas teóricas ou discursos de Jesus. Ele apenas relata a prática ou atividade de Jesus, deixando que o leitor chegue por si mesmo à conclusão de que Jesus é o Messias, o Filho de Deus.”

(…)

Toda a atividade de Jesus é o anúncio e a concretização da vinda do Reino de Deus (Mc 1,15). E isso se manifesta pela transformação radical das relações humanas: o poder é substituído pelo serviço (campo político), o comércio pela partilha (campo econômico), a alienação pela capacidade de ver e ouvir a realidade (campo ideológico). Trata-se de proposta alternativa de sociedade, que leva ao nivelamento fraterno das pessoas. Isso provoca a oposição acirrada das autoridades e dos privilegiados, que fazem de Jerusalém e do Templo a sede do
seu poder e riqueza. O resultado do conflito é a paixão e morte de Jesus. Mas Jesus não permanece morto. Ele ressuscita, e sua Ressurreição é a sentença condenatória do sistema que o matou. O livro de Marcos é apenas o começo da Boa Notícia (1,1). O autor deixa claro, portanto, que sua obra não é completa e que, para chegar ao fim, supõe que o leitor tome uma posição: continuar o livro através de sua própria vida, tornando-se discípulo de Jesus.”

Bíblia Sagrada. Edição Pastoral. Paulus Editora, 1990. Versão Kindle, Posição 58664- 58673.

Narrativa de Mateus

“De todos os evangelistas, Mateus é aquele que apresenta didática mais clara. Entre o prólogo (Mt 1-2) e a narrativa da morte e ressurreição de Jesus (26,3-28,20), ele organiza o assunto de todo o seu Evangelho em cinco livrinhos, cada um contendo uma parte narrativa seguida de um discurso. Lendo atentamente, podemos perceber que Mateus escolheu os episódios de cada parte narrativa, de modo a ilustrar o discurso seguinte. E o discurso, por sua vez, resume e explica o que está contido nessa narrativa. Assim a palavra de Jesus é sempre apresentada
como resultado de uma ação, e toda ação é sempre ensinamento, anúncio.”

Bíblia Sagrada. Edição Pastoral. Paulus Editora, 1990. Versão Kindle, Posição 56498.