Senioridade e Sabedoria

Meu querido, as tais tramas da vida ainda nos são necessárias para o aperfeiçoamento de nossas virtudes e caráter. Não há encarnação sobre a Terra que delas não precise ou as possa dispensar. Saiba, contudo, que em todas as suas provas, estamos aqui. Certos atritos ainda serão inevitáveis, pelo que vejo, mas que a sua consciência seja fiel aos valores nos quais acredita e defende.

“Fareis passar pela porta que tiverdes passado” foi o que nosso General te disse. Considera que os sentimentos que agora te habitam são parte da experiência necessária para conhecer o sabor deste momento e poder oferecer, em futuro breve, a mão solidária a quem te procurar. O mercado chama isso de senioridade. Nós chamamos sabedoria: o conhecimento integrado ao ser por suas experiências de vida.

A diferença de senioridade é que as experiências do mercado nem sempre fazem dos seres humanos seres melhores, senão apenas mais hábeis no trato diário de suas tarefas corporativas. A sabedoria, ao contrário, harmoniza a experiência de vida do ser com o sentido das leis universais e o ancora de forma concreta no centro do mundo subjetivo, espiritual. O ser encontra o seu sentido para além dos fatos e assim age de acordo com o fluxo que percebe, compreende e vivencia todos os dias.

Age por amor, com amor e para o amor. Isso não significa que suas experiências serão mais fáceis, ou gerarão menos atrito. Mas que serão essenciais para o avanço benéfico de todas as coisas. Lembre-se sempre do nosso mestre com o chicote no templo. Não poderíamos fazer imagem melhor para ilustrar o que digo. O amor é firme, forte, coerente. O Amor é corajoso, não se acovarda diante dos tantos receios da vida. O amor é ação com sentido, fruto do pensamento que se eleva para o alto. É conhecimento, movimento e transformação.

Meu beijinho ao seu coração,
Encontre na calma interior a certeza de que tudo vai dar certo!

Olívia

Símbolo Dogmático

Doutor Jung observou, sabiamente: “a função incomparavelmente útil do símbolo dogmático [consiste no fato de ele] proteger a pessoa da experiência direta de Deus, já que ela não expõe si mesma de modo prejudicial. Mas se… A pessoa deixar a casa e a família, viver muito tempo isoladamente e observar de modo excessivo o espelho negro, então o formidável evento do encontro pode deitá-la por terra. No entanto, mesmo assim o símbolo tradicional, que vem a florescer em sua plenitude ao longo do séculos, pode operar como corrente de cura e desviar a fatal incursão do Deus vivo nos espaços tornados ocos da igreja.

Campbell, Joseph. O herói de mil faces. Pensamento, São Paulo, 2007, pp. 201-202

Nirvana

A pausa no limiar do Nirvana, a resolução de adiar até o fim do tempo (que nunca tem fim)  a imersão no poço imperturbável da eternidade, representa uma percepção de que a distinção entre a eternidade e o tempo não passa de aparência – tendo sido elaborada, à força, pela mente racional, mas dissolvida pelo conhecimento perfeito da mente que transcendeu os pares de opostos. Esse conhecimento reconhece que o tempo e a eternidade configuram-se como dois aspectos da mesma experiência total, dois planos do mesmo inefável não-dual; isto é, a jóia da eternidade está no lótus do nascimento e da morte: om mani padme hum.

Campbell, Joseph. O herói de mil faces. Pensamento, São Paulo, 2007, p. 146.