Caráter e repressão

“Segundo Freud, o “caráter” é um fenômeno da negatividade, pois sem a censura ao aparato psíquico ele não se formaria. Por isso, Freud o define como “sedimento depositado de possessões objetuais renunciadas”. Se o eu toma conhecimento das possessões objetuais que acontecem no id, evita-as com o processo de repressão. O caráter contém em si a história da repressão. Reflete certa relação do ego com o id e com o superego. Enquanto a pessoa histérica apresenta uma morfologia característica, a pessoa depressiva não tem forma, sim, é amorfa. Ele é um homem sem características.”

HAN, Byung-Chul. Sociedade do Cansaço. Ed. Vozes, 2022, Local 712.

Anexos: Sociedade do Esgotamento

Poder hábil

“O verbo modal que define a sociedade do desempenho não é o “dever” freudiano, mas o poder hábil (Können). Essa mudança social traz consigo uma reestruturação também no interior da psique. O sujeito do desempenho pós-moderno possui uma psique bem diferente do sujeito obediente, abordado pela psicanálise de Freud. O aparato psíquico de Freud é dominado pelo medo e pela angústia frente à transgressão. Desse modo, o eu se transforma num local de medo e angústia. Mas isso já não se aplica ao sujeito de desempenho da pós-modernidade. Esse é um sujeito da afirmação.”

HAN, Byung-Chul. Sociedade do Cansaço. Ed. Vozes, 2022, Local 654.

Anexos: Sociedade do Esgotamento