Homem Cósmico

O discípulo foi abençoado pela visão que transcende o alcance do destino humano normal, equivalente a um vislumbre da natureza essencial do cosmos. Não seu destino pessoal, mas o da humanidade, da vida como um todo, do átomo e de todos os sistemas solares, foi posto diante dos seus olhos; e em termos passíveis de apreensão humana, isto é, em termos de uma visão antropomórfica: o Homem Cósmico.

(…) De modo correspondente, o Homem Cósmico manifestou-se, na Palestina, como judeu; na Alemanha antiga, como alemão, entre os Basutos, como negro no Japão, como japonês. A raça e a estatura da imagem que simboliza Universal imanente transcendente tem alcance histórico, e não semântico; o mesmo ocorre com o sexo: a Mulher Cósmica, que aparece na iconografia dos jainismas, É um símbolo tão eloquente quanto Homem Cósmico.

Campbell, Joseph. O herói de mil faces. Pensamento, São Paulo, 2007, pp. 229-230.

A função psicológica do mito

Não pode haver dúvida: os perigos psicológicos pelos quais passarem as gerações anteriores, com a orientação oferecida pelos símbolos e exercícios espirituais de sua herança mitológica e religiosa, nós hoje (…) enfrentar sozinhos ou, na melhor das hipóteses, com uma orientação experimental, improvisada e poucas vezes muito efetiva. Eis o nosso problema, na qualidade de indivíduos modernos, “esclarecidos”, que foram privados da existência de todos os deuses e demônios por meio da racionalização. Não obstante, ainda podemos ver, na multiplicidade de mitos e lendas, que chegaram até nós ou que tem que tem sido registrados pelos confins da terra, o esboço de alguns elementos do nosso destino mais humano.

Campbell, Joseph. O herói de mil faces. Pensamento, São Paulo, 2007, p.