Qual é o poder da Matrix?

“Qual é o poder da Matrix? Usar e controlar a inteligência humana para dominar o mundo, criando uma realidade virtual ou uma falsa realidade na qual todos acreditam. A Matrix é o feitiço virado contra o feiticeiro: criada pela inteligêcia humana, a Matrix é inteligência artificial que destrói a inteligência que a criou porque subsiste sugando o sistema nervoso central dos humanos.”

CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. 14º Edição. São Paulo: Editora Ática. 2020, pág. 12.

Introdução: Para que filosofia?

Neo e a Matrix

Fazer de si mesmo um idiota

“De acordo com Deleuze, a filosofia decola com um faire l’idiot [fazer de si mesmo um idiota]. Não é a inteligência, mas um idiotismo que caracteriza o pensar. Todo filósofo que produz um novo idioma, um novo pensar, uma nova linguagem, é um idiota. Ele se despede de tudo o que foi. Ele habita esse patamar imanente do pensar virgem, ainda sem descrição. Com faire l’idiot, o pensar ousa saltar para o completamente outro, para o não acontecido. A história da filosofia é uma história de idiotismos, de saltos idiotas: “O velho idiota queria evidências a que ele chegasse por si mesmo: enquanto isso ele duvidava de tudo […]. O novo idiota não quer nenhuma evidência […], ele quer o absurdo – isso é um quadro completamente diferente do pensar”. A inteligência artificial não é capaz de pensar, porque não é capaz de faire l’idiot. Ela é inteligente demais para ser uma idiota.”

HAN, Byung-Chul. Não coisas: Reviravoltas do mundo da vida. Ed. Vozes, 2021, Local 724.

Inteligência Artificial

O pensamento é um processo analógico

“Em um nível mais profundo, o pensamento é um processo decididamente analógico. Antes de compreender o mundo em conceitos, ele é comovido pelo mundo, afetado mesmo por ele. O afetivo é essencial para o pensamento humano. A primeira imagem mental é o arrepio da pele. A inteligência artificial não pode pensar porque não se arrepia. Falta-lhe a dimensão afetivo-analógica, a comoção, que não pode ser captada por dados e informações.”

HAN, Byung-Chul. Não coisas: Reviravoltas do mundo da vida. Ed. Vozes, 2021, Local 629.

Inteligência Artificial

A fotografia digital é hiper-real

“A possibilidade de pós-processamento digital enfraquece a ligação com o referente. Ela torna impossível a devoção à realidade. Dissociada da referência, a fotografia se torna autorreferencial. A inteligência artificial gera uma nova realidade ampliada que não existe, uma hiper-realidade que não tem mais correspondência com a realidade, com o verdadeiro referente. A fotografia digital é hiper-real.”

HAN, Byung-Chul. Não coisas: Reviravoltas do mundo da vida. Ed. Vozes, 2021, Local 556.

Selfies

Inconsciente digital

“Em analogia ao inconsciente óptico, podemos chamá-lo de inconsciente digital. O Big Data e a inteligência artificial levam o regime da informação a um lugar em que é capaz de influenciar nosso comportamento num nível que fica embaixo do limiar da consciência.”

HAN, Byung-Chul. Infocracia: Digitalização e a crise da democracia. Ed. Vozes, 2022, Local 179.

Regime de Informação

 

Cada nova mídia um novo regime

“Cada nova mídia tem por consequência um novo regime, à medida que estabelece novas estruturas de poder. Com a industrialização, começa o regime disciplinar. O poder adquire, ele mesmo, uma forma maquinal. O poder disciplinar introduz as pessoas nas engrenagens da máquina panóptica. A digitalização produz o regime de informação, cuja psicopolítica vigia e conduz a ação por meio de algoritmos e de inteligência artificial.”

HAN, Byung-Chul. Vita Contemplativa, ou sobre a inatividade. Ed. Vozes, 2023, Local 1322.

O Pathos da ação