Poder Superior

O poder superior – “A Divindade Suprema” – é uma força sem gênero, que está tão além da nossa compreensão que podemos apenas ter um vago entendimento do seu ser.

Buckland, Raymond. Livro completo de bruxaria de Raymond Buckland: tradição, rituais, crenças, história e prática. Editora Pensamento Cultrix, São Paulo, 2019, p. 59.

Ciclo cosmogônico

A fórmula filosófica ilustrada pelo ciclo cosmogônico refere-se a circulação da consciência pelos três planos do ser. O primeiro plano é o da experiência desperta: a cognição dos fatos brutos e crus de universo exterior, iluminado pela luz do sol e comum a todos. O segundo é o da experiência divina: a cognição das formas fluidas e sutis de um mundo interior privado, auto-iluminado e que forma uma única substância com o sonhador. O terceiro, por sua vez, é o do sono profundo: um sono não povoado por sonhos, profundamente recompensador. No primeiro plano, encontramos as experiências instrutivas da vida; no segundo ocorre a digestão dessas experiências, que são assimilados pelas forças interiores do sonhador; já no terceiro plano do ser, tudo é aproveitado e conhecido de modo inconsciente, no “espaço existente no interior do coração”, na sala do controlador interno, a fonte e o fim de tudo.

O ciclo cosmogônico deve ser entendido como a passagem da consciência universal, da profunda zona adormecida do imanifesto, para a plena luz do cotidiano desperto, por intermédio do sonho, ocorrendo, em seguida, o retorno através do sonho, para as trevas intemporais. Tal como acontece na experiência real de todo ser vivo, assim também é na figura grandiosa do cosmo vivo: no abismo do sono, as energias são recompostas; na labuta diária, são exauridas; a vida do universo se esgota e deve ser renovada

O ciclo cosmogônico pulsa, tornando-se manifesto, e retorna ao estado imanifesto, em meio ao silêncio do desconhecido. Os hindus representam esse mistério por meio da sílaba sagrada AUM. Aqui, o som A representa a consciência desperta; o som U, a consciência onírica; e o som M, o sono profundo. O silêncio em torno da sílaba é o desconhecido, chamado simplesmente de ” o Quarto “. A sílaba em se representa Deus como criador-preservador-destruidor, mas o silêncio representa o Deus eterno, absolutamente afastado de todas as idas e vindas da roda.

“É  invisível, intangível, inconcebível, imperceptível, inimaginável, indescritível. É a essência do autoconhecimento, comum a todos os estados de consciência. Todos os fenômenos aí cessam. É paz, benção, não dualidade.”

Campbell, Joseph. O herói de mil faces. Pensamento, São Paulo, 2007, pp. 261-262.

Transitoriedade das formas

Tendo morrido para o seu Ego pessoal, eis que nascera outra vez, estabelecido no Eu.

O herói é o patrono das coisas que estão se tornando, e não das coisas que se tornaram, pois ele é. “Antes de Abraão existir, EU SOU”.Ele não confunde a aparente imutabilidade no tempo com a permanência do Ser (…) “Nada retém sua própria forma, a Natureza, a maior renovadora, constantemente cria formas de formas. Certamente nada há que pereça em todo universo, há apenas variação e renovação de forma.”

Campbell, Joseph. O herói de mil faces. Pensamento, São Paulo, 2007, p. 236.

Não saber é saber

“Pois somente conhecemos verdadeiramente a Deus”, escreve São Tomás de Aquino, “quando acreditamos que ele se acha além de tudo o que o homem possivelmente seja capaz de pensar de Deus”. No Kena Upanishad, neste mesmo espírito: “saber e não saber não saber é saber”.

Campbell, Joseph. O herói de mil faces. Pensamento, São Paulo, 2007, p. 230.

O Todo além

(…) tanto o Pai como Filho são aniquilados – como personalidades-máscaras colocadas no inomeado. Pois assim como os produtos em reais de um sonho derivam da energia vital do sonhador, representando apenas fluidas divisões E complexidade de uma única força, assim também todas as formas de todos os mundos, quer terrestres ou divinos, refletem a forma universal de um único mistério inescrutável: a força que constrói o átomo e controla a órbita das estrelas.

Essa fonte de vida constitui o núcleo do endivido, e este a encontrará dentro de si mesmo – se puder retirar as camadas que a recobrem.

Campbell, Joseph. O herói de mil faces. Pensamento, São Paulo, 2007, p. 178.

A visão final de Dante

(…) minha visão era superior às possibilidades de descrição da voz humana e ao poder de rememoração, tal a magnitude do que me era mostrado.

Ali, nem o olho, nem a fala, nem a mente, alcança: não O conhecemos, nem o podemos saber como ensiná-Lo. É Isso diferente de todo conhecido, e está além do próprio desconhecido.

Campbell, Joseph. O herói de mil faces. Pensamento, São Paulo, 2007, p. 178