Contemplar e amar de Agostinho

“Em Agostinho, contemplar e amar se tornam uma e a mesma coisa. Apenas onde há amor o olho se abre (ubi amor, ibi oculus). Contemplar e louvar são formas da inatividade. Não perseguem nenhuma finalidade e não produzem nada.”

HAN, Byung-Chul. Vita Contemplativa, ou sobre a inatividade. Ed. Vozes, 2023, Local 976.

A Absoluta falta de ser

A obrigação de atividade

“A obrigação de atividade, produção e desempenho leva à falta de ar. O ser humano se sufoca em seu próprio fazer. Só na reflexão as coisas se tornam “espaçosas, arejadas em torno do ser humano”

HAN, Byung-Chul. Vita Contemplativa, ou sobre a inatividade. Ed. Vozes, 2023, Local 707.

Da ação ao ser

A contemplação é oposta à produção

“A contemplação é oposta à produção. Ela se relaciona com o indisponível como algo já dado. O pensar está sempre recepcionando. A dimensão da dádiva no pensar [Denken] faz dele um agradecer [Danken]. No pensar como agradecer, a vontade se resigna [abdanken] inteiramente: “O espírito nobre paciente seria um puro repousar-em-si de toda vontade que, recusando o querer, entregou-se àquilo que não é uma vontade. O espírito nobre seria a essência do pensar e, assim, do agradecer”.

HAN, Byung-Chul. Vita Contemplativa, ou sobre a inatividade. Ed. Vozes, 2023, Local 670.

Da ação ao ser

A disposição precede toda atividade

“A disposição nos abre o espaço unicamente no qual nos confrontamos com um ente. Ela desvela o ser. Não podemos dispor da disposição. Ela nos toma. Não é possível produzi-la voluntariamente. Antes, somos lançados nela. Não a atividade, mas o estar-lançado [Geworfenheit] como passividade ontológica originária define nosso ser-no-mundo originário.

A disposição precede toda atividade e é, ao mesmo tempo, definidora para ela.

Toda ação é, sem que sejamos conscientes disso, um agir definido. A disposição constitui, então, o quadro pré-reflexivo para atividades e ações.”

HAN, Byung-Chul. Vita Contemplativa, ou sobre a inatividade. Ed. Vozes, 2023, Local 640-644.

Da ação ao ser

Obrigação de produzir

“Quando a obrigação de produzir se apodera da linguagem, esta se coloca no modo do trabalho. Ela se reduz, então, à portadora de informação; ou seja, a mero meio de comunicação. A informação é a forma ativa da linguagem. A poesia, em contrapartida, desarma a linguagem como informação. Na poesia, a linguagem se coloca no modo da contemplação.”

HAN, Byung-Chul. Vita Contemplativa, ou sobre a inatividade. Ed. Vozes, 2023, Local 317.

Considerações sobre a inatividade

O que tem valor hoje?

“Hoje em dia, as coisas só começam a ter valor quando são vistas e expostas, quando chamam a atenção. Hoje, nos expomos no facebook, e com isso nos transformamos em mercadoria. Originariamente, a palavra produção não significa fabricação e confecção, mas levar para diante, tornar visível.”

HAN, Byung-Chul. Sociedade do Cansaço. Ed. Vozes, 2022, Local 1031.

Anexos: Tempo de celebração-a festa numa época sem celebração