O mistério último

O mito é a revelação de uma plenitude de silêncio no interior e em torno de todo o átomo de existência; é algo que dirige a mente o coração, por meio de figurações cuja forma vem do plano profundo, para aquele mistério último que preenche e cerca todas as existências. Mesmo no mais cômico e aparentemente frívolo de seus momentos, a mitologia dirije a mente para esse imanifesto, que se acha precisamente além do olho.

Campbell, Joseph. O herói de mil faces. Pensamento, São Paulo, 2007, p. 263.

Integração

E por isso podemos dizer que, afinal de contas, o moderno alvo terapêutico de uma cura que produza o retorno à vida é atingido por meio da antiga disciplina religiosa (…) Aquele que se libertou em vida, desprovido de desejos, compassivo e sábio, “com o coração concentrado pela ioga, vê todas as coisas sob a mesma luz, observa-se a si mesmo em todos os seres e observa todos os seres em si mesmo. Como quer que leve a vida, vive em Deus”. (…) Aqueles que sabem, não apenas que o Eterno vive neles, mas que eles mesmos, e todas as coisas, são verdadeiramente o Eterno, habitam os bosques de árvores que atendem aos desejos, bebem o licor da imortalidade e ouvem, em todos os lugares, a música silenciosa da harmonia universal. Esses são os imortais.

Campbell, Joseph. O herói de mil faces. Pensamento, São Paulo, 2007, p.m157.