O poder do propósito

O propósito também ajuda quando as coisas não estão dando muito certo. Às vezes, a vida fica difícil, e não há como evitar isso. Aponte mais alto, viva por mais tempo, e você vai deparar com momentos complicados. Tudo bem. Todos passamos por isso. Conhecer as razões pelas quais você está fazendo algo oferece a inspiração e a motivação para dar um suor extra, necessário para perseverar quando as coisas não vão bem. Manter-se firme em algum tempo suficiente para que o sucesso apareça é uma demanda fundamental para alcançar resultados extraordinários.

(…) Quando se pergunta: “Qual é a única coisa que posso fazer na minha vida que faria mais sentido para mim e para o mundo, de modo que, ao fazer ela, o restante se torne mais fácil ou desnecessário?” , Você usar o poder da única coisa para trazer propósito a sua vida..

Keller, Gary; Papasan, Jay. A única coisa. Novo Século Editora, Barueri, 2014, p. 130

Não obstante, todo fracasso em lidar com uma situação da vida deve traduzir-se, no final, como restrição à consciência. As guerras e as explosões emocionais são paliativos da ignorância; os arrependimentos, iluminações que vem tarde demais. Todo o sentido do mito onipresente da passagem do herói reside no fato de servir essa passagem como padrão geral para homens e mulheres, onde quer que se encontrem ao longo da escala. Assim, o mito é formulado nos mais amplos termos. Cabe ao indivíduo, tão somente, descobrir sua própria posição com referência a essa fórmula humana geral e então deixar que ela o ajude a ultrapassar as barreias que lhe restringem os movimentos. (…)

No consultório do psicanalista moderno, os estágios da aventura do herói ainda vêm a lume nos sonhos e alucinações dos pacientes. Camada após camada de falta de autoconhecimento é penetrada, exercendo o analista o papel de auxiliar, de sacerdote iniciatório. (…)

O ponto nevrálgico da curiosa dificuldade reside no fato de que as nossas concepções conscientes a respeito do que a vida deve ser raramente correspondem àquilo que a vida de fato é.

Campbell, Joseph. O herói de mil faces. Pensamento, São Paulo, 2007, p. 121.

Cessar de existir

“Nenhuma criatura”, escreve Ananda Coomaraswamy, “pode atingir um grau mais alto da natureza sem cessar de existir”.

Campbell, Joseph. O herói de mil faces. Pensamento, São Paulo, 2007, p. 93. Citando Ananda K. Coomaraswamy, Akimcanna: sekf-naughting. New indiam Antiquary, vol. III, Bombaim, 1940, p. 6, nota 14, citando o discurso de Tomás de Aquino, Súmula theologica, I, 63, 3.

“O herói cujo apego ao ego já foi aniquilado vai e volta pelos horizontes do mundo, entra no dragão, assim como sai dele, tão prontamente como um rei circula por todos os cômodos do palácio. Aí reside seu poder de salvar; pois sua passagem e retorno demonstram que, em todos os contrários da fenomenalidade, permanece o Incriado-Imperecível e não há nada a temer.

Campbell, Joseph. O herói de mil faces. Pensamento, São Paulo, 2007, p. 93.

Consciência dos opostos

O “Muro do Paraíso”, que oculta Deus das vistas humanas, é descrito por Nicolau de Cusa como constituído pela “consciência dos opostos”, sendo seu portão guardado pelo “mais alto espírito da razão, que impede a passagem enquanto não for superado”. Os pares de opostos (ser e não-ser, vida e morte, beleza e feiúra, bem e mal, e todas as outras polaridades que ligam as faculdades à esperança e ao temor e que vinculam os órgãos de ação a tarefas de defesa e aquisição) são as rochas em colisão (Simplégades), que esmagam os viajantes, mas pelas quais os heróis sempre passam.

Campbell, Joseph. O herói de mil faces. Pensamento, São Paulo, 2007, p. 90.