“– Meu reino é o deserto… e o deserto é também minha casa. Para onde quer que me volte, tudo o que está ao meu redor se transforma em deserto. Trago o deserto comigo. Sou feito de fogo mortífero. Como poderia ter outro destino que não fosse uma perpétua solidão?
(…)
– E tudo isso – concluiu Bastian – só pode acontecer enquanto você está transformado em pedra. Mas Perelim devoraria tudo e se asfixiaria a si mesma se não morresse e se deslizasse em pó todos os dias quando você acorda. Perelim e você, Graograman, são dois aspectos do mesmo todo.
(…)
Era uma espada.
Não tinha grande aparência. A bainha de ferro em que se encontrava estava enferrujada e o punho parecia o de um sabre de criança, pois era feito de um pedaço de madeira.
– O senhor pode dar-lhe um nome? – perguntou Graograman.
Bastian observou pensativamente a espada.
– Sikanda! – disse.
Nesse mesmo instante, a espada saiu da bainha e literalmente voou para sua mão. Bastian viu que a lâmina era feita de uma luz tão resplandecente, que mal se podia olhar para ela. De dois gumes, a espada era leve como uma pena em sua mão.”
