A Unidade dos Opostos e a Espada da Luz

“– Meu reino é o deserto… e o deserto é também minha casa. Para onde quer que me volte, tudo o que está ao meu redor se transforma em deserto. Trago o deserto comigo. Sou feito de fogo mortífero. Como poderia ter outro destino que não fosse uma perpétua solidão?

(…)

– E tudo isso – concluiu Bastian – só pode acontecer enquanto você está transformado em pedra. Mas Perelim devoraria tudo e se asfixiaria a si mesma se não morresse e se deslizasse em pó todos os dias quando você acorda. Perelim e você, Graograman, são dois aspectos do mesmo todo.

(…)

Era uma espada.

Não tinha grande aparência. A bainha de ferro em que se encontrava estava enferrujada e o punho parecia o de um sabre de criança, pois era feito de um pedaço de madeira.

– O senhor pode dar-lhe um nome? – perguntou Graograman.

Bastian observou pensativamente a espada.

– Sikanda! – disse.

Nesse mesmo instante, a espada saiu da bainha e literalmente voou para sua mão. Bastian viu que a lâmina era feita de uma luz tão resplandecente, que mal se podia olhar para ela. De dois gumes, a espada era leve como uma pena em sua mão.”

ENDE, Michael. A História sem fim.São Paulo: Martins Fontes, 2022, pág. 248-249.

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