Mito x realidade

Se as façanhas de uma figura histórica real proclamam-no herói, os construtores de sua lenda inventarão para ela aventuras apropriadas nas profundezas. Estas serão apresentadas como jornadas a reinos miraculosos e deverão ser interpretados como símbolos, de um lado, de descidas no mar de escuridão da psique e, de outro, de domínios ou aspectos do destino do homem que se tornaram manifestos na vida dessas figuras.

Campbell, Joseph. O herói de mil faces. Pensamento, São Paulo, 2007, p. 312.

Cessar de existir

“Nenhuma criatura”, escreve Ananda Coomaraswamy, “pode atingir um grau mais alto da natureza sem cessar de existir”.

Campbell, Joseph. O herói de mil faces. Pensamento, São Paulo, 2007, p. 93. Citando Ananda K. Coomaraswamy, Akimcanna: sekf-naughting. New indiam Antiquary, vol. III, Bombaim, 1940, p. 6, nota 14, citando o discurso de Tomás de Aquino, Súmula theologica, I, 63, 3.

“O herói cujo apego ao ego já foi aniquilado vai e volta pelos horizontes do mundo, entra no dragão, assim como sai dele, tão prontamente como um rei circula por todos os cômodos do palácio. Aí reside seu poder de salvar; pois sua passagem e retorno demonstram que, em todos os contrários da fenomenalidade, permanece o Incriado-Imperecível e não há nada a temer.

Campbell, Joseph. O herói de mil faces. Pensamento, São Paulo, 2007, p. 93.

Templos

Em geral, esses templos são projetos para simular as quatro direções do horizonte do mundo; o santuário ou altar, colocado no centro, simboliza o Ponto Inextinguível. Aquele que penetra no complexo do tempo e se encaminha para o santuário imita a façanha do herói. Seu objetivo é repetir o padrão universal, como forma de evocar, dentro de si mesmo, a lembrança da forma de convergência e renovação da vida.

Campbell, Joseph. O herói de mil faces. Pensamento, São Paulo, 2007, p. 47.

Unidade

Os dois, o herói e o seu deus último, aquele que busca e aquele que é encontrado – são entendidos, por conseguinte, como a parte externa e interna de um único mistério auto-refletido, mistério idêntico ao do mundo manifesto. A grande façanha do herói supremo é alcançar o conhecimento dessa unidade na multiplicidade e, em seguida, torná-la conhecida.

O efeito da aventura bem-sucedida do herói é a abertura e a liberação do fluxo da vida no corpo do mundo.

Campbell, Joseph. O herói de mil faces. Pensamento, São Paulo, 2007, p. 43.

Separação, iniciação e retorno

O percurso padrão da aventura mitológica do herói é uma magnificação da fórmula representada nos rituais de passagem: separação-iniciação-retorno – que podem ser considerados a unidade nuclear do monomito.

Um  herói vindo do mundo cotidiano se aventura numa região de prodígios sobrenaturais; ali encontra fabulosas forças e obtém uma vitória decisiva; o herói retorna de sua misteriosa aventura com o poder de trazer benefícios aos seus semelhantes.

Campbell, Joseph. O herói de mil faces. Pensamento, São Paulo, 2007, p. 36.