Grande Paradoxo

De acordo com uma das formas tradicionais de encarar esses suportes da meditação, a forma feminina (em tibetano: yum) deve ser observada como o tempo; e a forma masculina (yab) como a eternidade. A união dos dois produz o mundo, em que todas as coisas são, a um só tempo, temporais e eternas, criadas a imagem desse deus macho-fêmea autoconsciente. (…) E assim é que tanto o masculino como o feminino devem ser encarados, alternativamente, ora como o tempo, ora como a eternidade. Isso quer dizer que os dois são o mesmo, cada um é os dois e a forma dual (yab-yum) não passa de efeito da ilusão – a qual, todavia, não difere da iluminação.

Eis uma suprema enunciação do grande paradoxo por meio do qual o mundo dos pares de opostos é abalado e o candidato admitido à visão visão do Deus, o qual, ao criar o homem à sua própria imagem, o criou homem e mulher.

Campbell, Joseph. O herói de mil faces. Pensamento, São Paulo, 2007, pp . 161-162

Evangelho de Eva

Sou vós e vós sois Eu; e onde quer que possais estar aí estarei. Estou em todos os lugares e sempre que o desejardes Me encontrareis; e Me encontrando, encontrar-Vos-eis.

Campbell, Joseph. O herói de mil faces. Pensamento, São Paulo, 2007, p. 43. Citando o “Evangelho de Eva”, citado por Epifânio, Adversus haereses, xxvi, 3.