Ideia Central da Punição

“No uso punitivo de força, quem a utiliza formou um julgamento moralista sobre a outra pessoa, um julgamento que imputa àquela pessoa algum erro que merece punição. A pessoa merece sofrer pelo que fez. Essa é a ideia central da punição. Disso deriva a noção de que os seres humanos são fundamentalmente criaturas pecaminosas e más, e que o processo corretivo lhes fará arrepender-se. Seria preciso ver quão horríveis são por terem feito o que fizeram. E o modo de levá-los ao arrependimento é aplicando algum castigo que os faça sofrer. (…)

A maneira de pensar que leva ao uso protetivo de força é radicalmente diferente. (…) Nossa consciência está totalmente focada em nossas necessidades. Estamos atentos para as necessidades que estão em risco. Mas de maneira alguma imputamos maldade ou erro à criança.

(…) E tal mentalidade está muito relacionada à segunda diferença – a intenção. No uso punitivo de força, a intenção é criar dor e sofrimento na outra pessoa, fazê-la lamentar ter feito o que fez. No uso protetivo de força, a intenção é apenas proteger. 

(…) ” Se eu os vir indo para a rua, vou colocá-los no quintal onde não há perigo de serem atropelados” (…) Mas o principal é que nós, os pais, estejamos conscientes da diferença. ”

ROSENBERG, Marshall. Criar Filhos Compassivamente: Maternagem e Paternagem na Perspectiva da Comunicação Não Violenta. São Paulo: Palas Athenas, 2020, pág. 45-46.

Doença e Sofrimento Não São Normais!

“A doença e o sofrimento, entretanto, são coisas anormais e evitáveis, o que foi demonstrado por Jesus. Ele também ensinou que o corpo físico poderia ser livre de sofrimento, e a mente livre das torturas do pecado. Os Rosacruzes de hoje ensinam de que forma o homem pode viver em harmonia com a lei natural, evitar o sofrimento da carne e os pecados do corpo, para que possa viver em paz e felicidade até a hora da transição.”

LEWIS, H. Spencer. A Vida Mística de Jesus. Curitiba, PR: AMORC, 2001, p. 219.

A Ciência do Despertar

“A ciência do despertar não é apenas um princípio budista. É uma experiência compartilhada que reflete as leis de causa e efeito. Quando ouço o noticiário fico normalmente impressionada com as histórias que escuto. Pessoas que experimentaram grande perda e sofrimento naturalmente buscam maneiras de servir os outros. Elas se movem de “eu estou sofrendo” para “o sofrimento existe”, e isso inspira nelas o desejo de servir. O amor que inspira esse desejo é o mesmo amor que todos nós temos quando paramos de focar somente em nós mesmos e nos movemos em direção à verdade da interdependência.”

MATTIS-NAMGYEL, Elizabeth. O Poder de uma Pergunta Aberta: o caminho do Buda para a liberdade. Teresópolis, RJ: Lúcida Letra,  2018. p. 114.

Potencial Puro

“A mente é potencial puro – ela não tem limites quanto ao que pode abarcar. Isto significa, é claro, que nós seres humanos não temos limites quanto ao que podemos abarcar, seja isso miserável ou sublime, maldoso ou alegre, feio ou bonito.”

MATTIS-NAMGYEL, Elizabeth. O Poder de uma Pergunta Aberta: o caminho do Buda para a liberdade. Teresópolis, RJ: Lúcida Letra,  2018. p. 99.

Admitir o Sofrimento

Nosso modus operandi usual é tentar livrar nossa vida do sofrimento reorganizando as coisas. Em vez de admitir o sofrimento como parte de nossa experiência, tendemos a fabricar estratégias esperançosas de prevenção. Meu amigo Buddy, praticante do método Rolfing, conta que os clientes quase sempre entram em sua clínica esperando ser “consertados” – esperam chegar a um estado físico completamente livre de dor. Este não é um desejo disparatado. Ninguém quer sofrer. Mas precisamos nos perguntar: “Este misterioso e dinâmico organismo que habitamos é passível de ser consertado? Ele alguma vez atingirá um estado final de equanimidade, em que não sentirá o movimento, o prazer e a dor do universo infinito do qual faz parte?”

MATTIS-NAMGYEL, Elizabeth. O Poder de uma Pergunta Aberta: o caminho do Buda para a liberdade. Teresópolis, RJ: Lúcida Letra,  2018. p. 93.

Narrativa Desconcertante

“Na história da vida do Buda há desconcertante que ilustra essa mudança de perspectiva do  “eu estou sofrendo” para o “sofrimento existe”. Um dia uma mulher chamada Gotami ximou-se do Buda segurando o corpo do filho morto nos braços. Ela implorou ao Buda que trouxesse a criança de volta à vida. O Buda disse que poderia ajudá-la, mas que primeiro ela deveria fazer alga para ele: pediu que ela lhe trouxesse uma semente de mostarda vinda de uma casa em sua vila na qual ninguém tivesse morrido. A mulher seguiu a instrução do Buda, mas retornou de mãos vazias. Não havia nenhuma família na vila que não houvesse visto a morte. Mas, no processo de buscar por isso, alguma coisa mudou em Gotami. Seu fracasso em conseguir uma mera semente de mostarda mostrou-lhe a universalidade do sofrimento. Evocou nela compaixão pela condição de todos os seres vivos. Mais ainda, ela experimentou a coragem que vem da aceitação. Gotami foi capaz de fazer a mudança de “eu estou sofrendo” para “o sofrimento existe”. Apenas depois disso conseguiu soltar o corpo do filho.

MATTIS-NAMGYEL, Elizabeth. O Poder de uma Pergunta Aberta: o caminho do Buda para a liberdade. Teresópolis, RJ: Lúcida Letra,  2018. p. 90.

Relação Com o Sofrimento

“A investigação sobre o sofrimento marca nossa entrada no caminho budista. O Buda nos ensinou, usando muitas diferentes palavras, a contemplar ou acomodar o sofrimento. O sofrimento tem algo a nos oferecer.”

MATTIS-NAMGYEL, Elizabeth. O Poder de uma Pergunta Aberta: o caminho do Buda para a liberdade. Teresópolis, RJ: Lúcida Letra,  2018. p. 89.

Fuga Para Dentro da Bolha

“Sejamos honestos: todos nós temos tendência a querer sair correndo para outra dimensão… estar em qualquer outro lugar, menos aqui. Mudamos de canal quando as notícias ficam muito dolorosas, porque não sabemos o que fazer com todo esse sofrimento. O processo de seleção descarta os pedaços desconfortáveis da nossa experiência, de maneira que aquilo que não entendemos não nos afete: tudo está bastante bem na nossa bolha. Mas podemos realmente excluir aspectos da vida tão fundamentais para a experiência humana? O sofrimento e a incerteza desafiam nossa fantasia de uma viagem sem escalas para o nirvana. A negação é simplesmente outra tendência extrema que vem junto com pressupostos falsos sobre o mundo. É apenas o outro lado de tentar encontrar felicidade e segurança no mundo das coisas.”

MATTIS-NAMGYEL, Elizabeth. O Poder de uma Pergunta Aberta: o caminho do Buda para a liberdade. Teresópolis, RJ: Lúcida Letra,  2018. p. 43.

A Dor Para o Aprendizado

“– O enigma de nosso irmão – elucidou o Assistente – é de natureza mental, considerando-se-lhe a origem pura e simples, mas está radicado à sensibilização psíquica, tanto quanto as ocorrências de ordem mediúnica.

– (…) poderemos considerá-lo médium?

De imediato, não. Presentemente, é um enfermo que reclama cuidado assistencial, no entanto, sanada a desarmonia de que ainda é portador, poderá cultivar preciosas faculdades medianímicas, porque a moléstia, nesses casos, é fator importante de experiência. A dor em nossa vida íntima é assim como o arado na terra inculta. Rasgando e ferindo, oferece os melhores recursos à produção.”

Xavier, Francisco Cândido / André Luiz. Nos Domínios da Mediunidade. Federação Espírita Brasileira, Brasília, 1955, Capítulo 24.

Tortura por Ligações Passadas

Findo o acidente paroxístico, notamo-lo suarento e desmemoriado, qual se fora surdo às preces que Raul Silva pronunciava, implorando o socorro divino em seu favor.

(…)

Abeirava-se a reunião da fase de encerramento, contudo, o rapaz que nos tomara, por último, a atenção, prosseguia apático, melancólico.

Registrávamos a esperança e o encorajamento, em variados tons, em todos os presentes, menos nele, que denotava tortura e introversão.”

Xavier, Francisco Cândido / André Luiz. Nos Domínios da Mediunidade. Federação Espírita Brasileira, Brasília, 1955, Capítulo 24.