Integração

“Porque aquele que quiser salvar a sua vida, perde-la-a, e quem perder a vida por amor de mim acha-la-á”.

O sentido é bem claro; é o sentido de toda a prática religiosa. O endivido, por meio de prolongadas disciplinas espirituais, renúncia completamente aos vínculos com suas limitações idiossincrasias, esperanças e temores pessoais. já não resisti a auto-aniquilação, que constitui o pré-requisito do renascimento na percepção da verdade, e assim fica pronto, por fim, para a grande sintonia.

Suas ambições pessoais estão dissolvidas, razão porque ele já não tenta viver, mas simplesmente relaxa diante de tudo o que venha a se passar nele; ele se torna, por assim dizer, um anônimo. A Lei vive nele com o seu próprio consentimento irrestrito.

Campbell, Joseph. O herói de mil faces. Pensamento, São Paulo, 2007, p. 231.

Não se preocupe com a opinião das outras pessoas a seu respeito

Não se preocupe com a opinião das outras pessoas a seu respeito. Elas estão fascinadas e iludidas pelas aparências. Mantenha-se firme em seu propósito. (…) Evite tentar conquistar a aprovação e admiração dos outros (…) Na realidade, desconfie se for visto pelo outros como alguém especial. Fique alerta para não adquirir uma falso sentimento de autoimportância.

Manter sua vontade em harmonia com a verdade e preocupar-se com o que está além de seu controle são princípios mutuamente exclusivos. Enquanto estiver absorvido por um deles, você irá obrigatoriamente negligenciar o outro.

Epicteto. A arte de viver/ Epicteto; uma nova interpretação de Sharon Lebell. Sextante, Rio de Janeiro, 2018, p. 40.

Princípios da Crença Wiccana / Conselho dos Bruxos Americanos – 1974

  1. Nós praticamos ritos para nos sintonizar com os ritmos naturais das forças vitais, marcados pelas fases da Lua e pelas mudanças e pelos ápices das estações.
  2. Reconhecemos que nossa inteligência nos dá uma responsabilidade única com relação ao nosso meio ambiente. Procuramos viver em harmonia com a natureza, em equilíbrio ecológico, oferecendo condições à vida e a consciência segundo uma visão evolutiva.
  3. Reconhecemos a existência de um poder muito maior do que aquele que se manifesta na pessoa comum. Por sem bem maior que o normal, ele é às vezes chamado de “sobrenatural”, mas o vemos como uma parte natural do potencial de todos.
  4. Compreendemos que o Poder Criativo do Universo se manifesta por meio da polaridade – como masculino e feminino – e que esse mesmo Poder Criativo habita em todas as pessoas e age por meio da interação entre o masculino e o feminino. Não valorizamos um mais do que o outro, porque sabemos que se complementam. Valorizamos o sexo como prazer, como símbolo e corporificação da vida e uma das fontes de energia usada nas práticas mágicas e nos cultos religiosos.
  5. Reconhecemos a existência tanto dos mundos exteriores quanto dos interiores, ou psicológicos – às vezes conhecidos como Mundo Espiritual, Inconsciente Coletivo, Planos Interiores, etc – e vemos na interação dessas duas dimensões a base dos fenômenos paranormais e das práticas de magia. Não negligenciamos nenhuma das dimensões, pois ambas são necessárias para a nossa realização.
  6. Rejeitamos toda hierarquia autoritária, mas honramos aqueles que nos ensinam, respeitamos aqueles que compartilham seu conhecimento e sua sabedoria, e admiramos aqueles que corajosamente deram de si para exercer funções de liderança.
  7. Vemos a religião, a magia e a sabedoria de vida como uma unidade na forma pela qual uma pessoa vê o mundo e vive nele, uma visão do mundo e uma filosofia de vida que identificamos como Bruxaria – O Caminho Wiccano.
  8. Dizer-se Bruxo não faz de ninguém um Bruxo – tampouco a hereditariedade ou uma coleção de títulos, graus ou iniciações. O Bruxo busca controlar as forças de si mesmo que tornam a vida possível, de modo a viver com sabedoria e bem, sem prejudicar outras pessoas e em harmonia com a natureza.
  9. Acreditamos na afirmação e na plenitude da vida, numa contínua evolução e num contínuo desenvolvimento da consciência, dando sentido ao Universo que conhecemos e ao nosso papel dentro dele.
  10. Nossa animosidade com relação ao Cristianismo ou qualquer outra religião ou filosofia de vida só existe na medida em que essas instituições se proclamam “o único caminho”, negando a liberdade a outras entidades e reprimindo outras formas de crença e prática religiosa.
  11. Como Bruxos Americanos, nós não nos sentimos ameaçados por debates sobre a história da Arte, sobre as origens de vários termos, sobre a legitimidade de vários aspectos de diferentes tradições. Nós nos preocupamos com o nosso presente e com o nosso futuro.
  12. Não aceitamos o conceito de mal absoluto, nem adoramos a entidade conhecida como “Satanás” ou “Demônio”, como definido pela tradição cristã. Não buscamos o poder por meio do sofrimento de outros nem aceitamos o conceito segundo o qual benefícios pessoais só podem ser obtidos pela negação do outro.
  13. Acreditamos que devemos buscar na natureza o que pode contribuir para a nossa saúde o nosso bem-estar.

Buckland, Raymond. Livro completo de bruxaria de Raymond Buckland: tradição, rituais, crenças, história e prática. Editora Pensamento Cultrix, São Paulo, 2019, pp. 47-49.

Autonomia Filosófica

Na minha opinião, os livros publicados ainda são a melhor fonte de informações corretas e comprovadas sobre a Arte. Mas nem mesmo nos livros as informações estão livres de erros. Você ainda tem que ler muito e depois decidir o que serve para você.

Buckland, Raymond. Livro completo de bruxaria de Raymond Buckland: tradição, rituais, crenças, história e prática. Editora Pensamento Cultrix, São Paulo, 2019, p. 17

Nobre Caminho Óctuplo

(…) ou Quarta Nobre Verdade do budismo:

“Crença Correta, Intenções Corretas, Palavra Correta, Ações Corretas, Meio de Vida Correto, Esforço Correto, Pensamento Correto, Correta Compreensão”.

Com a “extirpação final da ilusão, do desejo e da hostilidade” (Nirvana), a mente sabe que não é aquilo que pensa ser: o pensamento flui. A mente permanece em seu verdadeiro estado. E aí pode e aí pode ela habitar até que o corpo desapareça:

“Estrelas, escuridão, lâmpada, fantasma, orvalho, bolha. Um sonho, um relâmpago, e uma nuvem: Assim devemos olhar tudo o que foi feito”.

O Bodisatva, todavia, não abandona a vida. Voltando os olhos da esfera interna da verdade que transcende o pensamento (que só pode ser descrita como “vazio”, já que ultrapassa a palavra) para observar mais uma vez o mundo fenomênico, ele percebe, fora de si, o mesmo oceano de existência que encontrou no seu íntimo. “A forma é o vazio, o vazio é de fato forma. O vazio não difere da forma, a forma não difere do vazio. O que for forma é também o vazio, o que for vazio, é também a forma. E o mesmo se aplica à percepção, ao nome, à concepção e ao conhecimento”.

Campbell, Joseph. O herói de mil faces. Pensamento, São Paulo, 2007, p. 156.

Esperança

A esperança que acalento é a de que um esclarecimento realizado em termos de comparação possa contribuir para a causa, talvez não tão perdida, das forças que atuam, no mundo de hoje, em favor da unificação, não em nome de algum império político ou eclesiástico, mas com o objetivo de promover a mútua compreensão entre os seres humanos. Como nos dizem os Vedas: “A verdade é uma só, mas os sábios falam dela sob muitos nomes”.

Campbell, Joseph. O herói de mil faces. Pensamento, São Paulo, 2007, p. 12.

O propósito do trabalho de Campbell

O propósito desse livro é desvelar algumas verdades que nos são apresentadas sob o disfarce das figuras religiosas e mitológicas, mediante a reunião de uma multiplicidade de exemplos não muito difíceis, permitindo que o sentido antigo se torne perene por si mesmo.

Campbell, Joseph. O herói de mil faces. Pensamento, São Paulo, 2007, p. 11.

Verdades

“As verdades contidas nas doutrinas religiosas são, afinal de contas, tão deformadas e sistematicamente disfarçadas”, escreve Sigmund Freud, “que a massa da humanidade não pode identificá-las como verdade.”

Campbell, Joseph. O herói de mil faces. Pensamento, São Paulo, 2007, p. 11.

Citação de:

Freud, Sigmund. The future of an illusion. The Hogarth Press, Londres, 1961, pp. 44-45.