Inconsciente ligado ao processo químico

“O cientista ficava observando dia e noite, noite e dia, dizendo que aquilo tinha de se cristalizar… Mas a mistura continuava obstinadamente líquida. Até que cansou de esperar, arranjou um assistente para ficar no lugar dele e manter a mistura numa determinada temperatura, e foi para casa dormir. Teve então o mais surpreendente dos sonhos, em que uma voz lhe dizia: “Vai agora e verás que a mistura se cristalizou!”. Levantou-se e telefonou para o laboratório e era verdade: a mistura tinha-se cristalizado! Assim, o inconsciente desse homem estava realmente ligado ao processo químico que se desenrolava na retorta, ou estava informado sobre todas as suas fases.

O leitor poderá chamar a isso de sincronicidade, mas não terá explicado coisa nenhuma. É simplesmente um fato. E mostra que não sabemos como o inconsciente está ligado à matéria mas apenas que está, e que ele tem conhecimento de tais coisas; como, não sabemos, pois o nosso conhecimento científico a esse respeito chegou a ao seu término, por enquanto. Segundo parece, a química, mesmo nos tempos mais recentes, ainda tem uma conexão com o inconsciente da pessoa que executa o experimento, até mesmo a ponto de ocorrerem coisas como a que descrevi.”

 

VON FRANZ, Marie-Louise. Alquimia, Uma introdução ao simbolismo e seu significado na psicologia de Carl G. Jung, Ed. Cultrix 2022, Pág 133-134.

3a Palestra | Alquimia Grega

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