Símbolo Dogmático

Doutor Jung observou, sabiamente: “a função incomparavelmente útil do símbolo dogmático [consiste no fato de ele] proteger a pessoa da experiência direta de Deus, já que ela não expõe si mesma de modo prejudicial. Mas se… A pessoa deixar a casa e a família, viver muito tempo isoladamente e observar de modo excessivo o espelho negro, então o formidável evento do encontro pode deitá-la por terra. No entanto, mesmo assim o símbolo tradicional, que vem a florescer em sua plenitude ao longo do séculos, pode operar como corrente de cura e desviar a fatal incursão do Deus vivo nos espaços tornados ocos da igreja.

Campbell, Joseph. O herói de mil faces. Pensamento, São Paulo, 2007, pp. 201-202

Dogmas herdados

Nos primeiros tempos do Cristianismo, principalmente, foram adotados de maneiras mais definitivas outros conceitos oriundos das antigas religiões. A ideia da Trindade, por exemplo, foi extraída da antiga tríade egípcia. Osíris, Ísis e Hórus tornaram-se Deus, Maria e Jesus. O dia 25 de dezembro como nascimento de Jesus foi emprestado do Mitraísmo –  que também defendia a segunda vinda do Cristo e do ato de “comer o corpo e beber o sangue de Deus”. Em muitas religiões do mundo antigo encontram-se concepções imaculadas e o sacrifício do deus pela salvação do ser humano.

Buckland, Raymond. Livro completo de bruxaria de Raymond Buckland: tradição, rituais, crenças, história e prática. Editora Pensamento Cultrix, São Paulo, 2019, p. 35.