Eles Não Sabem o Que Fazem

“Nenhum dos milagres de Jesus pôde igualar-se ao supremo milagre da vitória espiritual do amor divino sobre o mal: “Pai, perdoa -lhes, porque não sabem o que fazem

(…) Com seu olho espiritual aberto à Consciência Crística e à Consciência Cósmica, Jesus tinha a capacidade consciente de exercer poder sobre toda a criação e poderia ter destruído facilmente seus inimigos.”

(…)

Apesar das torturas do corpo e da gravidade da ignomínia, da zombaria e do ódio, ele não sucumbiu às incitações da natureza humana. Transcendendo as limitações do corpo, ele manifestou o poder de seu espírito ilimitado e a imagem de Deus dentro de si.

Houve mártires que enfrentaram de forma voluntária, e mesmo sorrindo, as torturas da morte; mas poucos alcançaram suficiente adiantamento espiritual para possuir e entretanto não utilizar seus poderes milagrosos com a finalidade de chamar à razão os malfeitores. Jesus nunca demonstrou seus poderes ou milagres para dissuadir seus inimigos de crucificá-lo. Ele entregou seu corpo, mas seu espírito jamais se rendeu.”

YOGANANDA, Paramahansa. A Segunda Vinda de Cristo, A Ressurreição do Cristo Interior. Comentário Revelador dos Ensinamentos Originais de Jesus. Vol. III. Editora Self, 2017, pág. 400-401.

Capítulo 74: A crucificação.

Jesus, O Impaciente

“JESUS ERA paciente com o néscio e o estúpido, tal como o inverno espera a primavera.

Era paciente como uma montanha ao vento. Respondia com benevolência às desagradáveis perguntas de Seus inimigos.

Podia mesmo silenciar ante cavilações e disputas, pois era forte, e os fortes podem ser tolerantes. Mas Jesus era também impaciente.

Não poupava os hipócritas. Não cedia aos astuciosos nem aos malabaristas de palavras.

E não podia ser governado. Era impaciente com aqueles que não acreditavam na luz porque moravam na sombra; e com aqueles que procuravam sinais no céu mais do que em seus próprios corações. Era impaciente com aqueles que pesavam e mediam o dia e a noite antes de confiar seus sonhos à aurora e ao anoitecer.

Jesus era paciente.

Contudo, era o mais impaciente dos homens. Ele vos faria tecer o pano embora gastásseis anos entre o tear e o linho.

Mas não admitiria que ninguém rasgasse uma polegada da fazenda tecida.”

GIBRAN, Gibran Khalil.  Jesus, o Filho do Homem. Tradução: Mansour Challita. Associação Cultural Internacional Gibran, 1973, pág. 147.

Início de um Novo Reino

“DISSERAM QUE JESUS era inimigo de Roma e da Judéia.

Mas eu digo que Jesus não era inimigo de nenhum homem e de nenhuma raça. Ouvi-O dizer: “Os pássaros do espaço e os cumes das montanhas não se preocupam com as serpentes em suas tocas escuras.

“Que os mortos enterrem seus mortos. Sede vós entre os vivos, e voai nas alturas.”

Eu não era Seu discípulo. Fui apenas um entre os muitos que O seguiam para contemplar Sua face.

Ele olhava para Roma e para nós, que somos escravos de Roma, como um pai olha para os filhos que se divertem com seus brinquedos e lutam entre si pelo brinquedo maior. E, da Sua altura, Ele ria.

Era maior do que o Estado e a raça; era maior do que a revolução. Era solitário e único, e era um despertar.

Ele chorou todas as nossas lágrimas não derramadas e sorriu todas as nossas revoltas.

Sabia que estava em Seu poder nascer com todos os que ainda não nasceram, e fazê-los ver, não com seus olhos, mas com Sua visão.

Jesus foi o início de um novo reino sobre a terra, e esse reino permanecerá.

Ele era o filho e o neto de todos os reis que construíram o reino do espírito. E somente os reis do espírito têm governado nosso mundo.”

GIBRAN, Gibran Khalil.  Jesus, o Filho do Homem. Tradução: Mansour Challita. Associação Cultural Internacional Gibran, 1973, pág. 105.

A Escolha do Caminho da Verdade

“É uma verdade fundamental, tão válida hoje quanto há dois mil anos, que nem toda a Humanidade está preparada, em qualquer sentido, para receber, compreender e usar as verdades superiores da vida e o poder miraculoso que nasce desse conheci mento. (…) As próprias experiências de Jesus no cumprimento da Sua missão nos dão excelentes razões para admitir o princípio do segredo. Mesmo entre aqueles que foram cuidadosamente submetidos à prova, preparados e qualificados, houve quem se tornasse cético, quem procurasse usar o conhecimento e o poder para fins pessoais e egoístas, e quem se transformasse em espiões e inimigos, bem como traidores da causa. Na perseguição e no processo a que Jesus foi submetido repousam razões que justificam a manutenção do princípio do segredo.”

LEWIS, H. Spencer. As Doutrinas Secretas de Jesus. Rio de Janeiro: Biblioteca Rosacruz, V. II, Ed. Renes, 1983, p. 36-37.

As Inimizades de Jesus

A tentativa de transferir o caso para a Galileia, porque Jesus não era judeu, e deixá-lo a cargo de Herodes que estava presenciando a festa de Jerusalém, também falhou. Herodes não tinha suficiente estabilidade e não estava livre de criticas, de modo que não ousou tomar parte em um assunto que ele sabia ser mais sério do que parecia à primeira vista. (…) O próprio Jesus parecia despreocupado quanto à controvérsia que havia entre os altos magistrados, pois foi registrado que, durante essas horas amargas, ele continuou a fazer tratamentos, a pregar e manter a mente calma. Devemos pensar na majestade dessa mente para manter-se pacifica sabendo o que estava por acontecer, pois Jesus sabia. (…) O modo pelo qual os líderes da turba se comportaram nesta ocasião, como confirmam todos os registros, mostra a grande inimizade e o rancor dos judeus que odiavam Jesus.”

LEWIS, H. Spencer. A Vida Mística de Jesus. Curitiba, PR: AMORC, 2001, p. 237.

O Auxílio Pago com o Golpe

Não é incomum na vida dos Avatares que a mesma mão e o mesmo braço que no passado estiveram paralisados e foram curados se tornem o braço e a mão que primeiro os golpeiem. Pilatos pedia o adiamento, mas estava sendo pressionado e acabou cedendo.”

LEWIS, H. Spencer. A Vida Mística de Jesus. Curitiba, PR: AMORC, 2001, p. 236.

Caifás, Inimigo Maior que Judas

“Caifás poderia ter sido espião do governo romano, pelo que podemos inferir dos relatórios secretos que fez a Roma às atividades de Jesus. Por outro lado, ele pode ter sido simplesmente um inimigo pessoal, pois é verdade que tudo fez para manter Roma informada a respeito de Jesus e para dificultar o trabalho Dele. Embora sendo Caifás um eminente líder do Sinédrio, ele não representava este corpo ao fazer seus relatórios ou ao assumir esta atitude. Há notícias de que Caifás chegou ao ponto de oferecer grandes somas em dinheiro com a finalidade de obter provas e assegurar-se de que Roma emitiria um mandado de prisão e julgamento de Jesus. Neste homem, pois, encontramos um inimigo maior de Jesus e Seu trabalho do que o próprio Judas.”

LEWIS, H. Spencer. A Vida Mística de Jesus. Curitiba, PR: AMORC, 2001, p. 233.

A relação do Jovem José e o Hinduismo

“Em Benares, o jovem José teve oportunidade de prosseguir com seus estudos de ética, lei natural, línguas e outros assuntos semelhantes, cujo estudo era possível em diversas grandes escolas da região, renomadas por sua cultura e erudição. Foi enquanto ali esteve que José se interessou profundamente pelo método hindu de cura, e fez um curso sobre os princípios hindus com Udraka, que tinha a fama de ser o maior dos curadores hindus.

Depois de visitar outras partes da Índia, com o simples objetivo de conhecer a arte, a lei e a cultura daqueles povos, José retornou ao mosteiro de Jagannath, onde ficou por mais dois anos. Seu progresso foi tal que Lhe designaram um professor na pequena cidade de Katak, o que Lhe deu a primeira oportunidade de aprender a arte de ensinar ou instruir pelo uso de parábolas ou histórias.

(…) Pelo que se pode depreender dos registros, Ele já havia incluído novas ideias e princípios verdadeiramente místicos em Seus discursos e instruções a crianças, que atraíam os mais eruditos ouvintes, mas despertava o antagonismo dos hindus incultos e estritamente ortodoxos. Por isto, ainda muito jovem, Ele sentiu o que era ter inimigos e seguidores ao mesmo tempo.”

LEWIS, H. Spencer. A Vida Mística de Jesus. Curitiba, PR: AMORC, 2001, p. 165.

A Mensagem do Redentor “do Mundo”

“O mundo se acha repleto de grupos inimigos em função dessa atitude: adoradores de totens, bandeiras e partidos. Mesmo as chamadas nações cristãs – que, segundo se supõe, seguem um Redentor “do Mundo” – são mais bem conhecidas, na história, pela sua barbaridade colonial, e pelas lutas internas, do que por alguma demonstração prática de amor incondicional, sinônimo da conquista efetiva do ego, do mundo do ego e do deus tribal do ego, que foi ensinada pelo seu professado Senhor supremo:

“Digo, a vós que ouvis: Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam. Bendizei os que vos maldizem e orai pelos que vos caluniam. (…) E, se amardes aos que vos ama, que recompensa obtereis? Também os pecadores amam aos que os amam. E se fizerdes bem aos que vos fazem bem, que recompensa obtereis? (…) Sede pois misericordiosos como também o vosso Pai é misericordioso.”

Uma vez que nos libertemos dos preconceitos da nossa própria versão provincianamente limitada, de caráter eclesiástico, tribal ou nacional, dos arquétipos do mundo, torna-se possível compreender que a suprema iniciação não é dos pais maternais locais, que projetam a agressão nos vizinhos para garantir sua própria defesa.  A boa nova, que o Redentor do Mundo traz e que tantos se rejubilaram, por ouvir, pela qual se empenharam em orar, mas que relutaram, aparentemente, em demonstrar, afirma que Deus é amor, que Ele é, e deve ser, amado, e que todos, sem exceção, são filhos seus“.

Campbell, Joseph. O herói de mil faces. Pensamento, São Paulo, 2007, pp. 151-152

Pai Intruso

” (…) a mãe era proteção. Mas veio o pai. Ele era o guia e iniciador para os/nos mistérios do desconhecido. Na qualidade de intruso original no paraíso da criança com a mãe, o pai é o inimigo arquetípico; eis porque, ao longo da vida, todos os inimigos simbolizam (para o inconsciente) o pai”.

Campbell, Joseph. O herói de mil faces. Pensamento, São Paulo, 2007, p. 150.