Tem de doer para se curar

“Atreiú tossiu, para se fazer notar. O casal de gnomos voltou-se para trás e olhou-o.

— Já está bom — disse o homenzinho. — Agora é a minha vez!

— Espere um pouco — ralhou a mulherzinha. — Eu é que decido se ele está bom ou não. Você só vai agir quando eu disser que está na hora.

— Você não está sentindo mais dor? — quis saber.

— Quase nenhuma — respondeu Atreiú.

— Como assim? — insistiu a mulherzinha com os olhos brilhando. — Dói ou não dói?

— Ainda sinto um pouco de dor — explicou Atreiú —, mas não faz mal…

— Ora, ora! — resmungou Urgl. — Era só o que faltava, o doente dizer ao médico o que faz e o que não faz mal. O que você entende disso, ignorante? Tem de doer para se curar. Se o braço não doesse era porque já estava morto.”

ENDE, Michael. A História sem fim.São Paulo: Martins Fontes, 2022, pág. 93.

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