A Causa da Morte de Jesus

“Determinar a causa da morte de Jesus é algo relativamente complexo e requer reconstituição forense de cada fase da do Getsêmani ao Calvário, como se fosse um Caminho da Cruz forense. A reconstituição teria que incluir a hematidrose; o espancamento na casa de Caifás, o sumo sacerdote; o açoitamento; a coroação com os espinhos; a viagem ao Calvário; a fixação na cruz; e a suspensão na cruz. A soma de todas essas informações deve ser avaliada para que se possa determinar a natureza a extensão do sofrimento de Jesus e, assim, chegar à causa de Sua morte.

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O choque, por definição, é um complexo de anormalidades fisiológicas causadas por uma variedade de processos de enfermidades ferimentos. É causado pela perfusão inadequada do órgão (circulação através dos órgãos) e má oxigenação dos tecidos. A perfusão adequada depende do funcionamento correto do coração, dos pulmões e vasos sanguíneos. Certos fatores iniciais causam a redução do volume de sangue em circulação, que por sua vez causa a diminuição do retorno venoso ao coração. Isso diminui a quantidade de sangue bombeada pelo coração, reduzindo o fluxo para os tecidos.

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O choque hipovolêmico (choque de baixo volume) é marcado por  uma significativa queda no volume de sangue, decorrente de hemorragia ou perda de fluidos corporais, causando uma queda na pressão sanguínea, constrição dos vasos sanguíneos periféricos e um aumento na taxa cardíaca como forma de compensação.

É estimado que a redução de aproximadamente um quinto do volume de sangue pode causar choque hipovolêmico. Quando Jesus disse “Eu tenho sede” (João 19:28-30), não há dúvida de que isso foi uma grosseira subestimação. Ele estava privado de líquidos desde Sua última refeição, a Santa Ceia, e sofreu perda de líquidos por causa do suor excessivo, do trauma no peito (efusão pleural), da hemorragia decorrente do açoitamento, da cravação dos pés e mãos, hematidrose, etc. (…) um escriba árabe, el Sujuti, que em 1247 descreveu um jovem turco que estava sendo crucificado em Damasco: “Sua principal agonia era sede. Uma testemunha me contou que ele olhava constantemente para os lados e implorava que lhe dessem água.” McGee, um geólogo americano que estudou largamente os efeitos da sede em indivíduos sofrendo de privação extrema de água em áreas desertas, distinguiu cinco estágios pelos quais o indivíduo passa antes de chegar à morte (…) no primeiro estágio, existe uma secura na boca e na garganta, acompanhada de um forte desejo pelo líquido. Essa é a experiência comum da sede normal, e a condição pode ser aliviada, como a prática indica, com um pouco de água ou por meio do próprio fluxo de saliva, de certa forma. No segundo estágio, a saliva e o muco na boca começam a secar, e a garganta se torna pegajosa e “apertada”. Há uma sensação de secura nas membranas mucosas. O ar inspirado parece quente e a língua gruda nos dentes e no céu da boca. Um “no” aparece na garganta e o individuo começa a engolir em seco continuamente para tentar desfazer essa sensação. De acordo com McGee, durante os três últimos estágios “as pálpebras endurecem em cima dos globos oculares, produzindo olhar fixo, a ponta da língua se torna rígida e amortecida e a pobre vítima tem visões de piscinas límpidas e riachos cintilantes”.

O choque traumático (choque por ferimento) é resultado de um machucado extremamente sério. Esse choque é classificado como choque hipovolêmico quando uma significativa hemorragia acontece como consequência de um ferimento físico. Porém, é mais prudente discutir o choque traumático separadamente, já que ele também pode ocorrer como consequência da dor, sem hemorragia expressiva A presença da dor sem um evento traumático estimula certos mecanismos nervosos no cérebro, fazendo que haja queda na pressão sanguínea redução do fluxo de sangue nos tecidos. Jesus perdeu muito sangue e fluidos, além de ter sofrido dores excruciantes.

Para que se possa chegar à mais provável causa da morte de Jesus, essencial que se examinem, na sequência, todos os eventos, do Getsêmani ao Calvário. A extrema agonia mental exibida no Jardim do Getsêmani teria causado alguma perda no volume de fluido circulante (hipovolemia), tanto por causa do suor como por causa da hemaditrose e teria provocado acentuada fraqueza. O bárbaro açoitamento com flagram composto de tiras de couro contendo pesos de metal o pedaços de osso nas pontas teria causado penetração na pele e trauma nos nervos, músculos e pele, fraturas nas costelas ou deslocamentos das costelas e da cartilagem, lacerações, infiltração de sangue através dos espaços intercostais e da musculatura das costas e do tórax, escoriações, ruptura alveolar (espaços de ar nos pulmões) e, mais provavelmente, colapso de um pulmão (pneumotórax), reduzindo vitima a uma condição exaurida e deplorável.

Em um curto espaço de tempo teria ocorrido uma inflamação no saco de coração, denominada pericardite, a qual se manifesta por meio de dores agudas e cortantes no peito. Surtos de vômito, tremores, ataques e desmaios ocorreriam em intervalos variados durante os acontecimentos. A vítima teria gritado em agonia a cada chibatada, sempre implorando misericórdia. Períodos de extremo suor também teriam acontecido intermitentemente. A vítima teria sido reduzida a um exausto e deformado pedaço de carne ansiando desesperadamente por água. Ela iria respirar rápida e superficialmente, já que a respiração normal causaria dor insuportável, em razão da pressão dos pulmões lacerados contra as costelas fraturadas. Ele teria tido calafrios, suor abundante, convulsões frequentes e um desejo incontrolável por água. Sua pele se teria tornado fria e pegajosa e Sua tez estaria acinzentada. A diminuição da pressão sanguínea teria causado tontura e Sua frequência cardíaca se tornaria fraca, porém acelerada. Nesse ponto, teria havido uma perda significativa de sangue e fluidos, além da extrema dor, implicando o princípio do choque traumático e hipovolêmico.

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A irritação do nervo trigêmeo e do nervo occipital maior do couro cabeludo, provocada pela coroa de espinhos feita com o espinheiro de-cristo sírio (Ziziphus spina-christi)- especialmente depois que Ele foi atingido várias vezes pelos soldados com pedaços de pau -, teria causado dores lancinantes no couro cabeludo e na face. Essas dores cessariam intermitentemente, apenas para começar de novo, mais devastadoras, cada vez que Ele era atingido com um cetro, ou cada vez que caía no caminho para o Calvário, e toda vez que era empurrado pelos soldados. A respiração ou mesmo os movimentos da caminhada Lhe teriam provocado dor. Isso se teria somado ao estado de choque traumático induzido pelo açoitamento. A estrada íngreme e vertiginosa para o Gólgota, o sol ardente, o ato de carregar a barra horizontal da cruz nos ombros por um curto período, as frequentes quedas e golpes que sofreu também teriam contribuído para o choque traumático hipovolêmico. A efusão pleural (líquido ao redor dos pulmões) te aumentado gradualmente depois do brutal açoitamento e começado a comprometer a respiração. A hemorragia nas costelas fraturadas lacerações nos pulmões teriam contribuído para a hipovolemia.

Ao mesmo tempo, a tensão na parede do tórax (respinai superficialmente, para evitar movimentos das costelas que causarian muita dor cada vez que os pulmões se inflassem) teria resultado en crescente choque traumático. Os enormes pregos de aço, quadrados, enfiados nas duas mãos teriam danificado os ramos sensoriais do ne mediano, produzindo dores horríveis, conhecidas na medicina cre calgia. Os pregos nos pés também teriam promovido as excruci dores da cautalgia.

Tudo isso teria causado um choque traumático adicional e hipovolemia. As horas na cruz, com o peso do corpo sustentado apenas pelos pregos nas mãos e pés, teriam causado episódios de dor agonizante toda vez que o crucarius se mexesse. Esses acontecimentos e as aterrorizantes dores no peito por causa dos açoites teriam piorado estado do choque traumático e hipovolêmico, bem como a crescente efusão pleural, o edema pulmonar, o excessivo suor induzido pelo trauma e pelo calor do sol. O Crucarius teria que arquear Seu corpo todo, pressionando a cabeça com a coroa de espinhos contra a estaca (veja a Figura 6-26) numa tentativa de endireitar as pernas e aliviar um pouco as cãibras nas panturrilhas e nos braços. A pressão de Sua cabeça contra a estaca teria reativado os tormentos da neuralgia de trigêmeo.

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Os eventos patofisiológicos que levaram à morte de Jesus ocorreram como resultado desses acontecimentos e dos choques traumático e hipovolêmico.

Durante a crucificação, o corpo tenta compensar os primeiros sintomas de choque usando processos químicos e nervosos par constringir os vasos sanguíneos e aumentar a frequência cardíaca causando, dessa forma, um aumento da pressão sanguínea e da produção cardíaca, na tentativa de manter a perfusão adequada e a oxigenação dos órgãos vitais.

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Se eu tivesse que estabelecer a causa da morte de Jesus, em minha função oficial de médico-legista, o atestado de óbito conteria a seguinte descrição:

Causa da Morte: parada cardíaca e respiratória, em razão de choque traumático e hipovolêmico, resultante da crucificação.”

ZUGIBE, M.D, Ph.D. Frederick T.  A Crucificação de Jesus: As Conclusões surpreendentes sobre a morte de Cristo na visão de um investigador criminal. São Paulo: MATRIX, 2008, pág. 163-171.

Publicado por

Juliano Pozati

Strengths coach, Escritor, Espiritualista e empreendedor. Membro do Conselho do The Institute for Exoconsciousness (EUA). Meio hippie, meio bruxo, meio doido. Pai do Lorenzo e fundador do Círculo. Bacharel em Marketing, expert em estratégia militar, licenciando em filosofia. Empreendedor inquieto pela própria natureza. Seu fluxo é a realização!

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