Medo e Hematidrose

“O sistema nervoso autônomo consiste de uma divisão simpática (D e uma divisão parassimpática (DP). Juntas, elas controlam várias funções do corpo, como a frequência cardíaca; os movimentos do trato gastrointestinal; o calibre das válvulas sanguíneas; a transpiração, a contrações ou o relaxamento dos músculos da bexiga urinária, da vesícula biliar e dos brônquios; a abertura e a contração das pupilas, oposta a acomodação. Em termos práticos, as duas divisões podem ser consideradas antagônicas, isto é, um sistema reage de forma ao outro. Por exemplo, a DS aumenta a frequência cardíaca durante excitação e a DP a diminui.

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A ansiedade é definida pelos doutores L. D. Adams e J. Hope como um fenômeno médico que “designa um estado caracterizado por um sentimento subjetivo de medo e uma inquieta antecipação (apreensão), comumente com um conteúdo tópico definido e associado com as sensações fisiológicas do medo: falta de ar, sensação de engasgamento, palpitações cardíacas, desconforto, alta tensão muscular, aperto no peito, tontura, tremores, suor, rubor e sono fragmentado”. (…) muitos se apegam à teoria de que a ansiedade é uma reação instintiva herdada do medo (…) Estudos recentes identificaram uma área do cérebro chamada amígdala como a “central do medo”. Quando essa central é alertada, ela manda um “alarme de defesa” para os principais centros do cérebro; estes, por sua vez, repassam o alarme para as várias estruturas do corpo, que desencadeiam os sintomas já descritos.

(…) A fadiga, por sua vez, é uma consequência do esforço de se lidar com o medo.

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O sistema do alarme de defesa, acionado pela “central do medo” no cérebro, é conhecido como a reação de lutar-ou-fugir. O sistema nervoso autônomo é ativado na tentativa de proteger o corpo de algum dano. Quando uma pessoa sente a aproximação de um perigo, a reação lutar-ou-fugir é ativada, colocando o corpo em alerta total. A divisão simpática do sistema nervoso central é ativada e um composto químico similar à adrenalina, chamado catecolamina, é produzido, acelerando a taxa cardíaca, contraindo os vasos sanguíneos para aumentar a pressão e desviando o sangue da pele e de áreas não essenciais para o cérebro, a fim de aguçar a percepção e permitir mais força e velocidade aos músculos das pernas e dos braços. Esse desvio do sangue causa a palidez característica associada ao medo. As pupilas se dilatam para que entre mais luz, possibilitando que a pessoa veja melhor ao seu redor, o sangue é liberado para produzir energia adicional, a profundidade e a taxa de respiração são aumentadas para garantir o oxigênio adequado e vários sistemas, como o digestivo, são desacelerados, para que a energia seja preservada. Quando o perigo passa, dependendo de ter havido confronto ou retirada, a divisão parassimpática é ativada e o oposto acontece. 

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“Minha alma está triste até a morte” (Marcos 14:34). A missão de Jesus era clara e Ele era capaz de prever todo o espectro de sofrimento e morte que estava por vir. Esse prelúdio produziu medo extremo e satisfez todos os critérios médicos para que se iniciasse a resposta simpática autônoma. (…) O fato de que Jesus “caiu no chão e orou…” (Marcos 14:35) foi uma indicação de sua fraqueza, já que era incomum um judeu ajoelhar-se durante a oração.

(…) o extremo estado de ansiedade mental causado pelo pavor estimulou o centro do medo (amígdala), que mandou u alarme geral para todos os centros do cérebro, evocando a plena reação de lutar-ou-fugir. Essa reação durou horas, resultando em um estado de exaustão total, que cessou abruptamente quando, depois que o anjo O reconfortou, houve uma reação contrária e Ele aceitou Seu destino. Isso fez que seus vasos sanguíneos se dilatassem e irrompessem diretamente nas glândulas de suor, terminando por sair pela pele, exatamente como foi descrito por São Lucas. A hematidrose é considerada um caso médico raro, mas a presença de ansiedade e profundo pavor corresponde aos numerosos casos relatados na literatura médica previamente indicada. A hematidrose no Getsêmani foi o reflexo do extremo sofrimento mental de Jesus.”

ZUGIBE, M.D, Ph.D. Frederick T.  A Crucificação de Jesus: As Conclusões surpreendentes sobre a morte de Cristo na visão de um investigador criminal. São Paulo: MATRIX, 2008, pág. 24-29.

 

Publicado por

Juliano Pozati

Strengths coach, Escritor, Espiritualista e empreendedor. Membro do Conselho do The Institute for Exoconsciousness (EUA). Meio hippie, meio bruxo, meio doido. Pai do Lorenzo e fundador do Círculo. Bacharel em Marketing, expert em estratégia militar, licenciando em filosofia. Empreendedor inquieto pela própria natureza. Seu fluxo é a realização!

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